Finalmente é chegado o momento. O que parecia sonho distante, agora, se mostra real, vívido, presente. Todo ideal, toda tradição, todo significado cria uma sensação quase palpável de força, de conquista, de vitória. Vencemos os seis meses mais decisivos de nossas vidas, superamos todos os obstáculos que se levantaram à nossa frente. Seremos confirmados como cadetes. Hoje receberemos nossos espadins.

Esta cerimônia é repleta de significado para todos, Nós, cadetes do 1° ano, alcançamos a primeira meta, a objetivo intermediário antes da aprovação no final do ano; integramo-nos definitivamente ao Corpo de Cadetes. Nossos familiares podem agora ter uma noção mais exata das transformações que sofremos, da diferença entre aqueles que entraram pelo Portão Monumental, carregando no próprio corpo o sinal de sua heterogeneidade, pela diversidade de ternos e fardas, e o bloco coeso que hoje executa evoluções de ordem unida.

Finalmente nossos instrutores vêem materializados o produto de seus esforços em forjar-nos, tornar-nos mais fortes e profissionais. A todos vocês, a Turma Cidade de Resende dedica os resultados de nosso trabalho: esta cerimônia.

Cabe aqui falar sobre a história da cidade que o nome a nossa turma homenageia. Resende surgiu em função da febre do ouro, no século XVIII. Os primeiros a desbravar o território onde hoje se encontra a cidade, encontraram na região várias tabas de índios Puris, que habitavam às margens do rio Paraíba do Sul. A colonização da terra só se deu efetivamente a partir de 1744, quando chegaram os primeiros homens com intenção de se instalarem definitivamente na região e, maravilhados com a beleza natural que perdura até hoje, batizaram-na com o nome de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Pacaíba Nova. A região começou a ser frequentada por faiscadores, que levantaram, primeiro, ranchos de tropa, depois, casas residenciais e, por fim, fixaram-se definitivamente à terra, instalando as primeiras fazendas.

A cidade prosperou, cresceu e se desenvolveu. Foi elevada a freguesia, por Alvará de 2 de janeiro de 1757 e, com a chegada dos escravos negros, seguiu-se um intenso surto econômico, pois a mão-de-obra barata propiciou o plantio em larga escala do café, que daqui se espalhou por todo o Vale do Paraíba, depois para Minas e São Paulo. O desenvolvimento justificou a representação em 1798, junto ao Governador do Brasil, para a criação do município e, a 29 de setembro de 1801, foi criada a Vila de Resende. em homenagem ao 5° Vice-Rei, Conde de Resende.

A prosperidade da região atraiu colonos italianos que se instalaram na região de Porto Real, dedicando-se ao cultivo de cana-de-açúcar. Porém, com a abolição da escravatura, a mão-de-obra negra foi atraída pela riqueza de São Paulo, provocando um esvaziamento das fazendas e, consequentemente, a decadência do cultivo. Posteriormente, tentou-se o povoamento com alemães, sírio-libaneses, judeus e finlandeses.

Atualmente, Resende vem despontando como polo industrial, pois a proximidade com a Siderúrgica Nacional, os portos de ltaguaí, Santos, Angra dos Reis, São Sebastião e Rio de Janeiro. além da posição intermediária entre os grandes centros, tomam-na extremamente atraente para a atividade industrial.

A iniciativa de homenagear Resende é justificada pela importância que a cidade tem para a Academia e, consequentemente, para nós cadetes. Muitos de nós voltaremos como oficiais e aqui nos enraizaremos definitivamente; muitos de nós casaremos aqui e nossos filhos poderão aqui nascer. É necessário que cada vez mais o cadete se integre à sociedade resendense, para que nossa permanência na cidade seja sempre repleta de experiências intensas e proveitosas para todos. Além desta ligação afetiva, há também a ligação profissional. O Exército passa por uma fase de intensas e profundas mudanças na sua estrutura. visando a tornar a máquina mais pronta, mais operacional, mais moderna. O Exército do futuro (somos nós) está sendo formado aqui e agora! A origem de tudo está na Academia, está em Resende. Da qualidade de nossa formação dependerá a qualidade dos oficiais que liderarão o Exército do século XXI. Um Exército que, evoluído, não esquecerá jamais suas tradições e sua missão de guardar nossa soberania e ideais.

A Turma de Aspirantes de 1990 deixa aqui sua primeira mensagem de fé e confiança no Exército, que, sem dúvida, será mais forte e operacional a cada nova geração que vencer o curso desta Academia e daqui de Resende irradiar por todo o país a força de nossa vibração, os nossos ideais e a nossa fé!

BRASIL ACIMA DE TUDO!

JOMAR BARROS DE ANDRADE